Profissionais colaborando em coworking representando o futuro do trabalho

Futuro do trabalho: por que os espaços coletivos voltaram a importar

O futuro do trabalho está transformando a forma como nos relacionamos, produzimos e ocupamos os espaços. E a resposta para ambientes mais humanos está nos encontros.  O futuro do trabalho talvez não seja tão tecnológico quanto imaginávamos. Claro, inteligência artificial, automação, trabalho remoto e plataformas digitais seguem mudando completamente a forma como trabalhamos. Mas, ao

02 de junho de 2026
Profissionais colaborando em coworking representando o futuro do trabalho

O futuro do trabalho está transformando a forma como nos relacionamos, produzimos e ocupamos os espaços. E a resposta para ambientes mais humanos está nos encontros. 

O futuro do trabalho talvez não seja tão tecnológico quanto imaginávamos. Claro, inteligência artificial, automação, trabalho remoto e plataformas digitais seguem mudando completamente a forma como trabalhamos. Mas, ao mesmo tempo, existe um movimento silencioso acontecendo em paralelo: as pessoas estão sentindo falta umas das outras.

Depois de anos acelerando produtividade, flexibilizando jornadas e digitalizando relações, começamos a perceber uma contradição curiosa. Nunca estivemos tão conectados e, ainda assim, tão sozinhos.

Talvez seja justamente por isso que temas como trabalho híbrido, conexões no trabalho, saúde mental e espaços coletivos tenham ganhado tanta relevância nos últimos anos. 

O escritório deixou de ser apenas um lugar para executar tarefas. Hoje, ele também precisa funcionar como espaço de troca, pertencimento, convivência e criação coletiva.

Essa discussão apareceu de forma muito forte durante um evento recente realizado em São Paulo, sobre o futuro do trabalho. Entre os convidados estava Rodrigo Ohtake, arquiteto e urbanista da Ohtake Arquitetura e Design, que trouxe uma reflexão poderosa sobre cidades, relações humanas e os chamados “vazios”.

Segundo ele, “o futuro dos espaços é criar vazios, porque é nesses vazios que a vida se encontra”. Pode parecer filosófico à primeira vista, mas quando analisamos a forma como trabalhamos hoje, essa fala faz mais sentido do que nunca.

No artigo de hoje, a Blocktime Coworking convida você para uma conversa sobre o futuro do trabalho, os novos espaços coletivos e por que ambientes feitos para encontros podem ser uma das maiores necessidades profissionais (e humanas) dos próximos anos.

O futuro do trabalho está mudando nossa relação com os espaços

Durante muito tempo, os espaços corporativos foram pensados quase exclusivamente para produtividade operacional: mais mesas, mais salas, mais baias, mais lugares individuais, e por aí ia.

Ao mesmo tempo, as cidades também seguiram uma lógica parecida. Apartamentos cada vez menores, espaços compartilhados reduzidos e uma valorização enorme do privado em comparação ao coletivo.

Na palestra de Rodrigo Ohtake, uma provocação chamou bastante atenção:
“o quarto tem muito mais valor imobiliário do que a sala”. E talvez isso explique muito sobre a forma como passamos a viver.

Os espaços de convivência perderam protagonismo. As cidades foram se tornando mais individualizadas. Os encontros espontâneos diminuíram. E, pouco a pouco, fomos substituindo presença por praticidade.

Então veio a pandemia e foi justamente nesse momento que muita gente percebeu que produtividade não sustenta tudo sozinha.

Segundo um relatório global da Gallup, trabalhadores que afirmam ter melhores conexões sociais no trabalho apresentam níveis significativamente maiores de engajamento e bem-estar.

Além disso, uma pesquisa da Microsoft mostrou que 60% das lideranças afirmam que suas empresas precisam reconstruir conexões sociais após o crescimento do trabalho remoto.

Ou seja: o desafio atual já não é apenas tecnológico, é relacional e isso muda completamente a lógica do futuro do trabalho.

Futuro do trabalho e trabalho híbrido: o escritório deixou de ser obrigação

Se antes o escritório era o único lugar possível para trabalhar, hoje ele precisa justificar a sua existência. Essa talvez seja uma das maiores transformações do trabalho híbrido.

A pergunta deixou de ser se precisamos ir ao escritório e passou a ser se vale a pena ir. E, quando o espaço oferece apenas uma mesa e internet, a resposta costuma ser cada vez mais difícil.

Mas quando ele oferece encontros, criatividade, trocas, cultura e conexões reais, o cenário muda completamente e é justamente por isso que os espaços coletivos voltaram ao centro das discussões sobre o futuro do trabalho.

Hoje, muitas pessoas não procuram apenas um lugar para trabalhar. Procuram: pertencimento, convivência, networking, inspiração, trocas humanas, relações saudáveis e, principalmente, a sensação de comunidade.

Essa busca ajuda a explicar o crescimento dos coworkings no mundo inteiro. 

Segundo a Coworking Resources, o número de espaços de coworking no mundo deve ultrapassar 40 mil unidades até 2027. Ou seja, mais do que tendência imobiliária, isso mostra uma mudança cultural.

As pessoas estão buscando espaços que funcionem como extensão da vida social e profissional ao mesmo tempo.

E por que os espaços coletivos voltaram a importar no futuro do trabalho?

Existe uma palavra que aparece cada vez mais quando falamos sobre trabalho:
pertencimento. Durante muitos anos, acreditamos que autonomia significava isolamento, que produtividade significava silêncio absoluto e que trabalhar sozinho era necessariamente mais eficiente.

Mas os estudos recentes mostram exatamente o contrário. Uma pesquisa da Harvard Business Review revelou que sentimentos de solidão no trabalho impactam diretamente produtividade, criatividade e saúde mental.

Ao mesmo tempo, ambientes colaborativos favorecem: a troca de conhecimento, a criatividade, a resolução de problemas, a inovação, a confiança entre equipes etc.

Não por acaso, Rodrigo Ohtake trouxe uma reflexão muito simbólica durante sua fala:
“A principal função da arquitetura e do urbanismo é promover o encontro das pessoas”. Quando pensamos nisso aplicado ao ambiente profissional, muita coisa muda.

Talvez o futuro do trabalho não esteja em criar ambientes mais silenciosos, isolados e individuais, talvez esteja justamente no contrário: criar espaços onde as pessoas consigam se encontrar de verdade.

Profissionais interagindo em espaço compartilhado alinhado ao futuro do trabalho

O futuro do trabalho também passa pelas cidades

Outro ponto muito interessante da palestra foi a discussão sobre urbanismo. Segundo Rodrigo Ohtake, estamos vivendo uma grande transformação urbana. Muitas pessoas estão deixando grandes centros em busca de cidades menores, mais verdes e com maior qualidade de vida.

Isso já aparece em diversas pesquisas. De acordo com dados da FGV, qualidade de vida, mobilidade e bem-estar passaram a influenciar diretamente decisões de moradia e trabalho após a pandemia.

Ao mesmo tempo, surge uma nova lógica: em vez de um único grande centro urbano, começamos a construir múltiplos centros menores e mais distribuídos e isso conversa diretamente com os coworkings.

Porque, nesse novo cenário, as pessoas querem: trabalhar perto de casa, evitar deslocamentos longos, manter conexões presenciais, acessar infraestrutura profissional e encontrar outras pessoas sem necessariamente voltar ao modelo corporativo tradicional.

É quase como recuperar uma ideia antiga de convivência, mas agora adaptada ao século XXI.

Blocktime Coworking: espaços pensados para encontros

Na prática, tudo isso ajuda a entender por que o futuro do trabalho está tão conectado aos espaços coletivos: as pessoas não querem apenas infraestrutura, elas querem sentir que fazem parte de algo.

E é justamente aí que ambientes como a Blocktime Coworking ganham ainda mais relevância. Mais do que um espaço de trabalho, a Blocktime funciona como um ponto de encontro entre pessoas, ideias, projetos e conexões reais.

Em um momento em que o trabalho híbrido continua crescendo e as relações profissionais estão sendo redesenhadas, ter um ambiente que favoreça a convivência, a criatividade e a troca faz toda diferença.

Porque, no fim das contas, produtividade também nasce de encontros. Nasce daquela conversa no café, da troca antes da reunião, da ideia que surge no meio de uma pausa e do contato humano que nenhuma chamada de vídeo consegue substituir completamente.

E talvez o futuro do trabalho seja exatamente isso: menos isolamento e mais presença.

O que podemos aprender com os “vazios” do futuro do trabalho?

Talvez uma das maiores ironias do nosso tempo seja essa: quanto mais aceleramos a tecnologia, mais percebemos a importância das relações humanas.

Durante anos imaginamos o futuro do trabalho como algo totalmente automatizado, remoto e individual. Mas a realidade parece apontar para outro caminho: onde os espaços coletivos voltam a ter valor, o encontro volta a importar e o ambiente físico deixa de ser apenas cenário e passa a influenciar cultura, criatividade e bem-estar.

A fala de Rodrigo Ohtake sobre os “vazios” talvez resuma tudo isso de forma muito simples: é nos espaços de encontro que a vida acontece. E, honestamente? O trabalho também.

Por isso, mais do que procurar uma mesa ou um escritório, talvez o grande desafio daqui para frente seja encontrar ambientes que façam sentido para as pessoas: mais humanos, mais leves, mais vivos e mais conectados.

E se você também acredita que o futuro do trabalho passa por relações, trocas e encontros reais, vale conhecer a Blocktime Coworking.

Entre um café, uma conversa e uma nova ideia, pode ser que você descubra que trabalhar bem tem muito mais a ver com pessoas do que imaginava. 

E, claro, aproveite para acompanhar o blog da Blocktime. Por aqui, a gente segue compartilhando tendências, reflexões e conteúdos sobre trabalho híbrido, produtividade, comportamento, carreira e os novos espaços que estão moldando o futuro do trabalho.

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João Marcos Guirau

Graduado em Arquitetura e Urbanismo pelo SENAC SP, é fundador da Blocktime Coworking e sócio do grupo Blocktime, referência em operação e otimização de escritórios. Entusiasta da economia compartilhada, participa ativamente de grupos relacionados ao tema e adquiriu conhecimento e expertise em arquitetura e design para coworkings, sendo responsável pela gestão operacional dos espaços. Atua, desde 2015 como organizador do Encontro Coworking Brasil e apoiador de muitas das iniciativas relacionadas a este universo, está sempre buscando mais conhecimento sobre novas formas de trabalho, participando frequentemente de conferências internacionais sobre o tema.

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